Em poucos minutos, Código Preto já escancara sua personalidade, o suspense e como ser agente não é pra qualquer um.
“Código Preto” é um termo utilizado pelos personagens para situar alguém que não podem falar sobre uma missão ou acontecimento em específico, por ser confidencial demais. Então, quando George (Michael Fassbender) começa a desconfiar de sua mulher, Kathryn (Cate Blanchett), estar envolvida em um caso que pode matar milhões, ele a questiona sobre o que vai fazer numa viagem e ela o responde com… bom, já sabe né?
A partir disso, uma investigação metódica começa a ser realizada, no qual acompanhamos tudo pelo ponto de vista do protagonista, como se manter calmo, fazer uma investigação sem deixar pistas, manter a vida pessoal distante do trabalho e por aí se segue. Tudo envolvendo um grupo de personagens que, após um tenso jantar, vão ganhando cada vez mais escopo com o decorrer da narrativa, interligando cada mínima ação que poderia ser fútil, mas demonstrou um forte senso de roteiro que não deixaria pontas soltas.

Código Preto | Universal Studios
Aproveitando que estamos falando deles, todos são bem interessantes e apresentam características que os diferem, os atores conseguem passar aquela impressão que o diretor busca, seja em um parecer mais certinho e outro soar mais babaca. Entretanto, o modo como usa a Clarissa (Marisa Abela) incomoda pela forma superficial de uma mulher que sente forte atração pelo protagonista e passa boa parte do longa-metragem deixando isso claro, mesmo que em horas inconvenientes, para no fim não levar a nada. Ainda que consiga ver o do porquê, seja para trazer humor ou vantagem na investigação de George, faltou algumas outras amostras de personalidade para que não soasse vazia.
Já o casal principal transpira aquela energia de “Sr. & Sra. Smith”, você gosta, sente química, entende o que os diferencia dos outros espiões, nota a lealdade de um para com o outro, mas se questiona em quem pode realmente confiar. Os atores conseguem transparecer sabedoria no modo de agir e pelo que falam, é possível ver o quanto se conhecem, da mesma forma que com muita sutileza, nos entregam suas dúvidas e desconfianças, de um para com o outro, o que deixa tudo ainda mais interessante.

Código Preto | Universal Studios
Tratando-se da parte técnica, não tem nada mais prazeroso de se ver do que acompanhar uma câmera que segue o personagem, viaja pelo ambiente sem cortes, trazendo elegância ao projeto e o tom certo que a obra precisa para aos poucos imergir quem assiste nela. A trilha sonora passa uma sensação agonizante e charmosa, não é que ela cause tensão, mas a sensação fria de um ambiente que lida com situações alarmantes e talvez a pessoa que mais ame esteja por trás do perigo.
O lado extremamente divertido de acompanhar a obra é que ela não parte pra ação, não tem uma grande cena de luta ou aquele acontecimento grandioso que muitos filmes de espião se deixam levar, dos quais gosto muito. Código Preto busca a todo momento nos colocar neste suspense, o suspense de não saber em quem confiar, de que as coisas estão piorando, mas a direção que está seguindo pode ser errônea. E quando você pensa que o filme vai seguir pra um caminho previsível, certo problema é resolvido e a narrativa parte para outra direção. Concluindo sem proporcionar muitas emoções, mas satisfazendo quem curtiu toda a jornada.
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