Apesar de sua interessante premissa, Plankton: O filme não demonstra o quão genial o vilão realmente consegue ser
Em 2004, foi lançado Bob Esponja: O Filme (2004, Stephen Hillenburg), um longa metragem que apresentava um grandiosidade digna da tela grande, considerando fatores como o grau de perigo em que os personagens estavam envolvidos, a força emocional do conflito de Bob Esponja entre ser um garotinho e ser um homem, músicas icônicas em diversos aspectos e um dos poucos momentos em mais de 20 anos de aventuras náuticas no qual realmente enxergamos Sheldon J. Plankton como uma verdadeira ameaça.
Introduzido no terceiro episódio da 1º temporada, Plankton e sua relação com Eugene Sirigueijo trouxeram alguns dos pontos altos de toda a série Bob Esponja Calça Quadrada, de casos no tribunal até o gás gugu-dadá, Plankton é um personagem excelente por muitos motivos, seu tamanho, seu potencial cômico, seu hiperfoco na fórmula do hambúrguer de siri, seu egocentrismo e seu relacionamento com sua esposa computador: Karen.
Ao longo de 25 anos de série, Plankton demonstrou diversas vezes seu potencial cômico e vilanesco, porém, além do filme de 2004, poucas vezes realmente sentimos que ele era realmente uma ameaça. Após mais de duas décadas de série, 3 longas metragens cinematográficos nos quais um ele realmente é uma ameaça e nos demais um aliado, e um filme spin off de Sandy Bochechas que o unicelular mal aparece, Plankton finalmente apresenta sua chance de brilhar em seu próprio filme.
Apesar de ser superior à produção A Missão de Sandy Bochechas (2024, Liza Johnson), o filme comete alguns erros que impedem o filme de alcançar tanto seu potencial cinematográfico, quanto seu potencial como projeto isolado de um dos personagens mais interessantes da Fenda do Biquíni.
Para os fãs de Bob Esponja, que acompanharam a série desde o começo, não é segredo nenhum que ocorreu uma queda de qualidade nos episódios mais recentes, assim, Plankton: O filme é um filho desta nova geração de episódios
Apesar de uma premissa muito boa e usufruir de uma metalinguagem extremamente aceita, incluindo discussões internas sobre a própria estética do filme, como cenas em que Plankton conversa diretamente com o cinegrafista, a produção apresenta uma estética em 3D que impede os personagens de realmente demonstrarem suas loucuras náuticas.

Sheldon J. Plankton em cena de Plankton: O Filme- Divulgação NETFLIX
Os momentos de flashback/delírio de Plankton, são as ocasiões em que a animação realmente entrega seu potencial por conta de sua forma mais experimental e usos interessantes do 2d, porém, em seu terceiro longa metragem nesta estética tridimensional, sinto cada vez mais que a essência de Bob Esponja está se perdendo por conta dela.
Não é somente o estilo de animação que tira a essência da Fenda do Bíquini, Plankton: O Filme prova que cada vez mais os personagens estão virando caricaturas de si mesmos, um exemplo é o trio de amigas compostas por: Sra. Puff, Pérola e Sandy.
Com exceção da esquila texana que é praticamente uma co-protagonista em diversos episódios, Pérola e Sra. Puff, apesar de interessantes dentro de seus próprios mundos, podem ser considerados personagens série D, dentro de todo o lore da fenda do Biquíni, e não apresentam destaque maior dentro de toda a produção e nem mesmo da série como um todo.
Pérola é a filha mimada e adolescente do Seu Sirigueijo e a Sra. Puff é a professora de direção de Bob Esponja, porém, em nenhum momento ao longo do filme, estas características cruciais se sobressaem, tornando-as vazias de caráter e personalidade.
O trio de amigas está presente para ocasionar um contraponto ao vilão unicelular, na medida que Karen, a grande vilã do filme, convivia diariamente com elas, porém, apesar de uma premissa interessante, este trio acrescenta pouco à história como um todo.
É estranho pensar como um filme focado em Plankton, que apresenta como nêmesis estabelecido o nosso crustáceo favorito, foca em um trio sem carisma, afinal, as melhores interações do vilão são com o Senhor Sirigueijo, deixado de lado ao longo do filme, e com o próprio Bob Esponja.

Bob Esponja e Sheldon J. Plankton em cena de Plankton: O Filme-Divulgação NETFLIX
Desde sua introdução, Plankton sempre teve uma relação ambígua com a esponja amarela, desde interações marcantes como a música “Diversão” e momentos cômicos de união como no filme Bob Esponja: Herói Fora da Água (Paul Tibbit e Mike Mitchell , 2015), a relação entre a inocente esponja e o egocêntrico vilão, sempre trouxe humor, o que não é exceção neste filme, aonde vemos, pela primeira vez em muito tempo, Bob Esponja perdendo a paciência com alguém.
Falando em música, Plankton: O Filme apresenta algumas das melhores sequências musicais de Bob Esponja em muito tempo, porém, isto não é o suficiente para um filme que espreme o seu sucesso por meio de referências e arquétipos vazios de icônicos personagens, incluindo mais menções do que deveria ao clássico filme de 2004.
Com diversas referências aos 25 anos de episódios, Plankton: O Filme diverte os fãs, porém, falha em inovar ou melhorar aquilo que veio antes, parecendo em certos momentos um episódio estendido da série, do que realmente um filme no escopo cinematográfico que Bob Esponja realmente merece, do mesmo modo que Wallace e Gromit: Avengança (2025, Nick Park, Merlin Crossingham), a produção é marcada por ser um filme exclusivamente para streaming, sem a força de um texto ou apostas específicas para a tela grande.
Ainda este ano teremos o 4º filme focado exclusivamente em Bob Esponja, já que os dois últimos foram spin offs focados em Sandy e Plankton respectivamente. Com Derek Drymon, responsável pelo roteiro do primeiro filme, no comando de Spongebob Squarepants movie: Search for Squarepants, talvez conseguiremos retornar a uma época mais simples de Bob Esponja, pois, se Plankton: O Filme prova algo, é que estamos bem longe daquilo que fez a série tão icônica para início de conversa.
Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.