CRÍTICA | Vitória: Um Retrato Incompleto de Coragem

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Embora traga uma história poderosa e mais uma atuação brilhante de Fernanda Montenegro, o filme peca na direção e na construção narrativa, ficando aquém do seu potencial.

Nos anos 2000, a aposentada alagoana Joana Zeferino da Paz, moradora da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, iniciou uma investigação, por conta própria, que levou à prisão de mais de 30 pessoas, entre traficantes e policiais militares envolvidos no tráfico local.

A história, revelada em 2005 pelo jornal Extra, do Rio de Janeiro, ganhou notoriedade quando Joana, vivendo sob anonimato, pelo pseudônimo Vitória, por questões de segurança, gravou vídeos do tráfico em sua vizinhança para desmentir alegações falsas de um coronel da PM durante um processo judicial. Sua coragem resultou em uma investigação que expôs a omissão policial e o envolvimento de PMs com o crime organizado. Joana viveu em segredo por 17 anos até sua morte na Bahia. Sua trajetória agora é retratada em “Vitória”, longa estrelado por Fernanda Montenegro (“Central do Brasil”).

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Vitória I Conspiração Filmes


A premissa do filme tinha grande potencial: um relato real, cheio de reviravoltas. No entanto, o resultado final não faz jus à riqueza da história original, sendo salvo apenas por mais uma atuação excepcional de Fernanda Montenegro, aos 95 anos, como protagonista. Fora isso, “Vitória” perde força em escolhas narrativas que não fazem justiça à profundidade do caso.

O principal atributo da produção, como já dito, é, sem dúvida, a performance de Montenegro. Sua interpretação é a única que consegue transmitir a complexidade emocional da personagem e a tensão da situação. Contudo, o restante do elenco não consegue sustentar a gravidade da trama. As atuações são limitadas e, em muitos momentos, as interações entre os personagens soam artificiais, prejudicando a imersão do espectador.

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Outro ponto negativo é a estética de telefilme, antiquada e pouco envolvente. A direção, de Andrucha Waddington (“Casa de Areia”), não consegue traduzir a tensão e o impacto do caso de Joana com a intensidade que a história exige. Além disso, a tentativa de inserir humor em momentos dramáticos é deslocada e ineficaz, criando um tom desconexo em várias cenas. Essas conveniências narrativas, que tentam suavizar o peso de uma história já dramática, enfraquecem ainda mais o enredo.

Apesar de seus problemas, “Vitória” ainda consegue gerar algum nível de entretenimento, principalmente devido à força do personagem de Joana e o fato que inspira a trama. A história, embora mal explorada, continua fascinante.

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No final, o filme não chega a ser uma grande tragédia, mas também não atinge seu potencial máximo. A atuação de Fernanda Montenegro e o impacto do caso real são os únicos elementos que impedem “Vitória” de ser uma completa, perdoe o trocadilho, derrota.

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